terça-feira, 28 de junho de 2016

Azar de Messi?

Foto: Site Oficial/Conmebol
Messi caminha desolado após perder pênalti

“Se Zico não ganhou a Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo”. A frase brilhante do jornalista Fernando Calazans ao se referir a um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro pode ser parafraseada da seguinte maneira a um dos maiores de todos os tempos e ao melhor da Argentina em toda história: "Se Messi não ganhou a Copa do Mundo nem a Copa América, azar do futebol".

Em que pese o fato de Messi e seu pai enfrentarem problemas com justiça espanhola por suposta fraude fiscal, nos gramados a história do craque é uma das mais bonitas do futebol. Com lances de encher os olhos desde a infância nas escolinhas do Newell´s Old Boys, time de Rosario, onde nasceu, Messi foi para Barcelona com apenas 13 anos. Dirigentes da equipe catalã, encantados com o futebol daquele menino, aceitaram pagar um tratamento para que ele pudesse crescer, já que enfrentava problemas de desenvolvimento e nem sua família nem o clube argentino poderiam bancar essas despesas.

Messi chegou a Barcelona, continuou encantando a todos na adolescência e se tornou titular de uma das maiores equipes do mundo com apenas 19 anos. Pelos blaugranas conquistou tudo o que estava ao seu alcance e de seus companheiros:

Campeonato Espanhol: 2004–05, 2005–06, 2008–09, 2009–10, 2010–11, 2012–13, 2014–15, 2015–16
Copa do Rei: 2008–09, 2011–12, 2014–15, 2015–16
Supercopa da Espanha: 2005, 2006, 2009, 2010, 2011, 2013
UEFA Champions League: 2005–06, 2008–09, 2010–11, 2014–15
Super Copa da UEFA: 2009, 2011, 2015
Copa do Mundo de Clubes da FIFA: 2009, 2011 e 2015

Além das conquistas pelo Barcelona, a perder de vista, Messi é o recordista em troféus da FIFA de melhor jogador do mundo.

Bola de Ouro da FIFA: 2009, 2010, 2011, 2012, 2015

Pela Seleção Argentina ganhou o Mundial Sub-20 em 2005 e medalha de ouro nos Jogos Olímpicos em 2008 com o time sub-23. Foi eleito ainda o melhor jogador da Copa de 2014.

Mas faltava ainda o bendito ou maldito título pela Seleção. Depois de 3 vice-campeonatos, Copa América em 2007 e 2015 e Copa do Mundo em 2014, esperava-se como nunca, enfim, que Messi erguesse uma taça de campeão pela seleção principal de seu país. Ainda mais com os rivais Uruguai e Brasil em queda livre e o Chile, campeão ano passado, num momento de transição pela troca de treinador e sem apresentar o mesmo futebol daquela conquista.

A Argentina passou fácil pela primeira fase. Venceu o próprio Chile na estreia por 2 a 1. Depois só goleada: 5 a 0 em cima do Panamá e 3 a 0 contra a Bolívia na primeira fase; 4 a 1 sobre a Venezuela e 4 a 0 diante dos Estados Unidos, respectivamente, nas quartas e nas semifinais.

Messi, claro, era o protagonista, autor de cinco gols na competição, que lhe renderam mais um recorde: com 55 gols se tornou o maior artilheiro da história da albiceleste, ultrapassando um dos grandes nomes do futebol mundial na década de 90 Gabriel Batistuta.

Chegou então o dia da final da Copa América do Centenário. Domingo, 27 de junho, no Metlife Staduim, em Nova Jersey, lotado, com mais de 80 mil pessoas. Cenário perfeito, desenhado para Messi enfim desencantar.

Do outro lado, no entanto, uma grande seleção, que praticamente renasceu tão forte quanto aquela campeã sul-americana de 2015. Num jogo bastante truncado e tumultuado pela fraca arbitragem do brasileiro Heber Roberto Lopes, Messi não se omitiu, ao contrário do que alguns leigos tolamente julgam. A Argentina finalizou 16 vezes, o Chile quatro. De todos os arremates argentinos, três foram de Messi. O camisa 10 ainda deu passes para cinco outras finalizações, dobrando a quantidade que acumulara nos quatro jogos anteriores e chegando a 10. Além de ter sido o vice-artilheiro, o craque do Barcelona foi quem mais somou assistências no campeonato disputado nos Estados Unidos.

Argentina e Chile empataram sem abertura de contagem no tempo normal e na prorrogação, assim como na final do ano passado. E também do mesmo modo que naquela final em Santiago, a Argentina sucumbiu nos pênaltis. Messi errou o primeiro e ficou desolado. Biglia também errou após dois acertos e bastava então que o desconhecido Silva, com uns 5% da pressão do astro argentino, colocasse a bola na rede e desse o título ao Chile.

Reprodução
Messi, consolado por Agüero, chora como nunca se viu

Messi ficou destruído emocionalmente como nunca em sua carreira. Foi assustador, já que ele sempre demonstrou muita sobriedade. Naquele momento, para Messi o mundo desabou. Já não era possível segurar mais a tristeza, a frustração, a angústia, a raiva e a decepção.

A Argentina, que não vence um título profissional desde a Copa América de 1993, completará ao menos 25 anos sem títulos. Depois da partida, o craque declarou que para ele a seleção "não dá mais". Em seguida começaram os apelos dos argentinos para que ele repense a decisão, pois sem Messi todos sabem que a Argentina é uma seleção comum e eles precisam de seu camisa 10 para tentar enterrar seus demônios na Copa de 2018.

O problema é que mais importante que enterrar os demônios dentro de campo é preciso enterrar os que estão fora das quatro linhas. Entenda

Alguns podem ver Messi como principal símbolo de uma geração fracassada do futebol argentino, mas a verdade é que o craque devolveu à Argentina o protagonismo no futebol, mesmo sem essa seleção ter conquistado um título no período, pois ele é o maior de sua geração e já superou, sim, Maradona como jogador, embora nunca vá superá-lo como ídolo em seu país, onde Maradona é Deus.

A Argentina não conquistou nenhum título nos últimos 23 anos. Mas o maior jogador dos últimos 23 anos é argentino. Então, se a decisão de Messi em não jogar mais pela seleção de seu país natal for definitiva, azar da Copa do Mundo e da Copa América.

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