sexta-feira, 24 de junho de 2016

Tite antiético?


Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Tite em sua apresentação na CBF. Há dois anos, depois do fiasco dos 7 a 1, era ele o merecedor do cargo. Optaram por Dunga, viram no que deu, e corrigiram o erro dois anos depois.

O grande personagem do futebol brasileiro nos últimos dias foi o técnico Tite, contratado pela CBF, com dois anos de atraso, para tentar tirar a Seleção Brasileira do atoleiro em que se encontra. Isso dentro de campo, claro, porque fora das quatro linhas, no que diz respeito à parte administrativa, enquanto Marco Polo Del Nero e seus asseclas estiverem no comando o futebol brasileiro estará longe de ser uma referência.

Por falar no presidente da CBF, Tite foi um dos assinantes de um manifesto que pedia a saída de Del Nero no final do ano passado e agora assinou um contrato sob o comando do mesmo. Na entrevista coletiva de apresentação do novo treinador, Tite desconversou e preferiu falar sobre seu trabalho a destacar esse conflito ético. Até porque, cá entre nós, será que há muita diferença entre lidar com Del Nero e Andrés Sanches ou Mário Gobbi ou Roberto Andrade entre outros dirigentes com quem Tite lidou em sua carreira?

A verdade é que a classe de dirigentes do futebol brasileiro não tem credibilidade quase que em sua totalidade, pois não há um que se rebele de verdade contra desfaçatez da CBF. Todos seguem a cartilha dessa entidade, mesmo com toda essa vergonha com que ela transformou o futebol brasileiro.

Portanto, Tite não errou ao aceitar ser treinador da Seleção Brasileira. Se os profissionais do futebol começarem a dar importância aos dirigentes, não trabalham em praticamente nenhum lugar neste país e até mesmo pelo mundo afora, nesse esporte tão corrompido e que não será corrigido de uma hora para outra. Até lá Tite já estará muito velho ou talvez nem vivo esteja. Então, que Tite faça um bom trabalho à frente da Seleção para que pelo menos dentro das quatro linhas o Brasil não passe tanta vergonha.

Além do mais, o importante é que, como destacamos no post anterior, depois dos 7 a 1, das prisões de dirigentes pelo mundo afora, inclusive do ex-presidente da CBF, e da fuga do atual mandatário, já não adianta mais tentar tapar o sol com a peneira e, mesmo que tardiamente, o futebol brasileiro mudará para melhor.

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