sexta-feira, 15 de julho de 2016

A final do merecimento

Foto: Fifa

Foto: Conmebol
Goleiro Azcona e centroavante Borja, carrasco do São Paulo nas semifinais (4 gols em 2 jogos), deverão travar um bom duelo na decisão da Libertadores

Quem acompanha o futebol apenas superficialmente pode achar sem graça a final da Copa Libertadores deste ano, por ser disputada por duas equipes sem tanta tradição. Mas quem gosta e acompanha com frequência e um olhar mais atento, certamente quererá ver os dois confrontos entre Atlético Nacional (COL) e Independiente Del Valle (EQU). As duas equipes conquistaram suas vagas de maneira mais do que merecida.

Em que pese o time colombiano ter contado com a ajuda da arbitragem em momentos cruciais de ambos os confrontos das semifinais diante do São Paulo, com erros clamorosos a seu favor, mostrou ser melhor na bola que o clube do Morumbi e que todos os outros da competição. Não à toa tem a melhor campanha da competição. Esse é um fator muito interessante também a favor do Nacional, pois em mata-matas nem sempre os times de melhor desempenho se dão bem. Não são campeonatos justos como os de pontos corridos em que fica campeão sempre o que joga melhor. (Mas não estamos aqui para discutir fórmulas de campeonato. Ambas têm suas vantagens e desvantagens e esse é um assunto para outro momento.)

Já o Independiente Del Valle chegou como um azarão, mas soube jogar em cima de suas limitações. Deixou para trás equipes tradicionais como Colo-Colo (CHI) e Atlético Mineiro na primeira fase e nos mata-matas desbancou os poderosos argentinos River Plate e Boca Juniors, este último então, foi superado com certa facilidade. No primeiro jogo, no Equador, o Boca fez o primeiro gol e depois não viu a cor da bola. Foi colocado às cordas, encurralado em seu campo de defesa. Na partida de volta, a inteligência e a frieza dos equatorianos na vitória por 3 a 2 foi uma aula aos times que costumam tremer no mítico La Bombonera.

Confira as campanhas de Atlético Nacional e Independiente Del Valle:

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Embora não seja um clube gigante no futebol sul-americano, como o São Paulo e principalmente o Boca Juniors, que ficaram para trás nessas semifinais, o Nacional venceu a Libertadores de 1989, foi vice em 1995 e ganhou duas vezes a Copa Sul-Americana (2002 e 2014) e uma Recopa (1990), além de ser o maior campeão colombiano com 15 títulos. Fundado em 1958 o clube equatoriano da cidade de Sangolquí conquistou apenas os campeonatos da segunda e terceira divisões de seu país. Não foi campeão nem da primeira divisão do Equador e já pode ser campeão da Libertadores

Mesmo sem currículos dos mais brilhantes, ambas as equipes chegam a essa decisão ostentando a maior virtude que um time pode ter no futebol: O MERECIMENTO. São duas equipes que possuem uma filosofia de trabalho, um modelo de jogo bem definido, treinado e difundido, uma lição à maioria dos grandes clubes do continente. Reinaldo Rueda está há dois anos no time colombiano. Ele deu sequência no trabalho de Juan Carlos Osorio que já era muito bom e longo, de 4 anos, e deixou o time que já vinha se destacando nos últimos anos ainda melhor. Pablo Repetto é uruguaio. Tem 42 e é técnico do Independiente Del Valle há 4 anos. O objetivo era chegar ao inédito título equatoriano, que vem batendo na trave nos últimos anos, mas já alcança nada mais nada menos que uma final de Libertadores.

Pela primeira vez uma final de Libertadores será disputada por um time da Colômbia contra um do Equador e ficou provado que nem sempre o mantra de que "a camisa pesa" funciona no futebol.

Serão dois duelos imperdíveis. A ver.

Equipes titulares de Atlético Nacional e Independiente del Valle e prováveis para a final:

ATLÉTICO NACIONAL: 25-ARMANI; 2-BOCANEGRA, 26-SÁNCHEZ, 12-HENRIQUEZ E 19-DÍAZ; 13-MEJÍA, 24-PÉREZ, 18-GUERRA, 10-MACNELLY TORRES E 29-MARLOS MORENO; 23-BORJA. TÉCNICO: REINALDO RUEDA

INDEPENDIENTE DEL VALLE: 1-AZCONA; 20-NUÑEZ, 3-MINA, 4-CAICEDO E 23-TELECHEA; 18-OREJUELA, 15-RIZOTTO, 17-JULIO ANGULO, 10-SORNOZA E 11-CABEZAS; 19-JOSÉ ANGULO. TÉCNICO: PABLO REPETTO





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