domingo, 10 de julho de 2016

O homem do ano

Jogadores correm para abraçar Éder, autor do gol que deu o primeiro título europeu a Portugal (Foto: UEFA)

Nem Cristiano Ronaldo nem Griezmann. Tampouco Messi. O homem do ano no futebol é Eder.

Sim, pois Griezmann foi vice da Liga dos Campeões e vice da Euro. Ainda precisa de um título importante para se consolidar entre os ícones do futebol mundial. Messi não conseguiu o título da Champions com o Barcelona e sucumbiu diante do Chile na Copa América. Já Cristiano Ronaldo é uma unanimidade. Campeão europeu de clubes e de seleções. Liderando Real Madrid e Portugal. Não tem como não ser eleito pela quarta vez o melhor jogador do mundo. Mas quem mais merece destaque mesmo é Eder.

Nascido em Guiné Bissau, em 22 de dezembro de 1987, Éderzito António Macedo Lopes, mais conhecido como Éder, é naturalizado português. O atacante joga atualmente pelo Lille, da França, país do qual agora se tornou algoz.

Começou a sua carreira nas categorias da Associação Académica de Coimbra. Na temporada 2007/2008 jogou no Grupo Desportivo Tourizense, na segunda divisão portuguesa. Retornou ao Académica de Coimbra na temporada 2008/2009 como uma aposta para o futuro e logo no início da temporada teve seu contrato melhorado e prolongado até 2012. Na temporada 2012/2013 foi contratado pelo Sporting Clube de Braga e foi transferido para o Swansea City do País de Gales, no fim da temporada 2014/2015. Sem espaço no clube britânico, foi transferido para o futebol francês no começo deste ano. Seu contrato com o Lille é válido até Junho de 2020.

Pela seleção portuguesa, na qual estreou em 2012, havia marcado apenas um gol.

Num jogo amarrado, sem espaços e de muita tensão, Eder foi lançado pelo técnico Fernando Santos no lugar de Renato Sanches aos 34 minutos do segundo tempo para dar mais agressividade e combatividade devido à sua força física (1,88m e 84kg).

E coube a Eder nada mais nada menos que decidir a Eurocopa com um gol histórico aos 4 minutos do segundo tempo da prorrogação. Seu currículo, modesto até então como apresentado, jamais será o mesmo.

A conquista de Portugal é muito simbólica. É a primeira conquista de um título importante pelos portugueses, que fica mais evidenciada ainda por ser diante de uma seleção rival e na casa dela.

Para valorizar ainda mais essa vitória, Portugal quebrou dois tabus numa tacada só. Venceu sua algoz nas semifinais da Euro de 1984 e 2000 e da Copa de 2010. Além disso, em todos os torneios importantes disputados em casa a França vinha se dando bem. Venceu a Euro de 1984 e a Copa de 1998.

A vitória enaltece também a importância do coletivo para uma equipe de futebol, pois o craque do time, Cristiano Ronaldo, foi substituído com apenas 25 minutos do primeiro tempo ao sofrer uma pancada no joelho. Sem ele, coube aos demais atletas, sabendo das limitações da equipe, se doarem ao máximo tática e fisicamente pela conquista. E eles deram conta do recado, principalmente Eder.

Então voltemos ao nosso personagem, que merece ser destacado. Primeiro porque no outro título mais importante da Europa, o de clubes, a decisão foi nos pênaltis entre o campeão Real Madrid e o vice Atletico de Madrid. Não houve um jogador que tenha decidido. Segundo porque Éder mostrou que o imponderável continua valendo no futebol e por isso esse esporte sempre foi e sempre será, pela emoção que causa e comove, a maior invenção do homem.

Afora o descrito acima, há um simbolismo que transcende ainda mais essa conquista: UM NEGRO DECIDIU A EUROCOPA. Isso mesmo. Num continente ainda marcado pelo preconceito racial, em que muitos dos trabalhadores imigrantes, inclusive jogadores de futebol, são humilhados e ofendidos, em ruas, parques, estabelecimentos comerciais, estádios etc, ainda mais em tempos de Brexit, esse gol é um tapa na cara de muita gente ignorante e inútil, uma lição de que a cor da pele não define caráter nem competência. Muitos europeus, não generalizando, é claro, terão que engolir por toda a história esta imagem:

Éder, africano de nascença, marca o gol que decidiu a Eurocopa (Foto: UEFA)

Viva Éder! UM NEGRO É O REI DA EUROPA!

#SOMOSTODOSIGUAIS

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