segunda-feira, 4 de julho de 2016

O que é vencer e convencer?

Maior técnico do mundo, Guardiola assume Manchester City para tentar fazer história também na Inglaterra
(Foto: Facebook Oficial / Manchester City)

"Assim que possível vamos tentar criar um espírito de equipe, isso é o mais importante. Depois, podemos falar de tática e muitas outras coisas, mas temos que criar algo especial entre nós." A frase de Guardiola em sua apresentação como técnico do Manchester City mostra mais uma vez a sabedoria desse monstro do futebol. Quem gosta do esporte que é a maior invenção do homem não pode deixar de admirar a obsessão de Pep pela perfeição e sua visão do futebol muito além do trivial.

Técnico vitorioso por onde passou, principalmente no Barcelona, onde conquistou tudo - no Bayern infelizmente não conseguiu o título da Champions League - Guardiola é o treinador mais valorizado e reconhecido do futebol mundial. Não somente pelos títulos, mas também por sua criatividade e audácia.

Em seu último trabalho, deixou os sistemáticos alemães "malucos" ao realizar constantes mudanças de posicionamento ao longo das partidas - inclusive na defesa; no setor ofensivo é até comum - e ao escalar o Bayern algumas vezes com um zagueiro ou até mesmo sem nenhum zagueiro de ofício. Nem por isso o Bayern não foi campeão nacional e só não avançou na Liga dos Campeões na última temporada porque o Atlético de Madrid foi muito bravo defensivamente. É claro que todas as mudanças têm seus riscos e nem sempre dão certo. Guardiola também já cometeu seus erros, como deixar a defesa adiantada demais nas eliminações das semifinais da Liga dos Campões contra Real Madrid, temporada 2013/2014 e Barcelona, 2014/2015. Mas não foi apenas por isso que perdeu e sim porque, convenhamos, a força dos dois gigantes espanhóis dispensa comentários.

No Barcelona, tirou o típico centroavante, na ocasião Ibrahimovic, que viera a peso de ouro, e colocou o garoto Messi na posição, criando o falso 9, posição não nomeada por ele, mas que acabou se convencionando para diferenciar o astro argentino, baixinho, de biotipo diferente da maioria dos centroavantes. Mas na verdade não existe o falso 9. O que muda é a característica do jogador. Como Messi é um gênio e se movimenta muito mais que os demais jogadores, tanto companheiros como adversários, colocá-lo nessa função deu mais liberdade para o camisa 10 sair da área, enganar a marcação e partir no mano a mano para o gol ou deixar os pontas em condições perfeitas para o gol com passes perfeitos ou, claro, receber a bola dentro da área como um camisa 9 e fazer o gol. Assim, Messi era centroavante e meia. Foi com a ajuda de Guardiola que o maior do mundo na atualidade pôde se mostrar como tal. Um técnico pragmático jamais teria a coragem e muito menos a essa ideia num clube tão gigantesco e de tanta pressão.

O resultado disso não é preciso nem mencionar. Basta olhar o currículo de Guardiola à frente do Barcelona. Por sua saída do time ser ter sido o pulo do gato de Guardiola para o oásis barcelonista, Ibrahimovic, vaidoso que é, o detesta. Por isso, sem dúvida, o duelo pelo protagonismo na Inglaterra na próxima temporada entre as duas equipes de Manchester, o City de Guardiola e o United de Ibrahimovic e Mourinho - técnico que sofreu com Guardiola em sua época no Real Madrid -, será muito interessante, quente e imperdível.

Com todas as conquistas e a moral que possui, Guardiola poderia muito bem se acomodar na Alemanha ou então voltar para a Catalunha, onde é rei. Em ambas as equipes teria um orçamento muito superior aos demais times - na Alemanha não teria rivais e na Espanha teria apenas um - e certamente seria mais algumas vezes campeão com certa facilidade.

Na Inglaterra, país do futebol, seu novo clube não reina absoluto. Há pelo menos três rivais de altíssimo poder aquisitivo como Manchester United, Chelsea e Arsenal que são sempre favoritos ao título e outros correndo por fora, com muita tradição, como Liverpool e Tottenham. E, claro, por que desprezar um Leicester da vida?

Mas ele quis o desafio. E na frase citada na abertura do texto mostra que vai além de um mestre da tática. É um grande líder. Obsessão por vencer de uma maneira que foge ao lugar comum é a marca deste grande treinador. Guardiola é sinônimo do que é vencer e convencer.

Será incrível ver o trabalho desse mestre no futebol mais competitivo da Europa.

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