terça-feira, 26 de julho de 2016

O time mais agradável da última temporada

Hamsik, "dono" do meio-campo do Napoli, conversa com o técnico Maurizio Sarri em treinamento; estilo de jogo da equipe italiana exige muito trabalho e compreensão (Foto: Site Oficial / Napoli)

Passada a Eurocopa, as atenções no futebol do Velho Continente se voltam para as expectativas da próxima temporada. Sem esquecer, infelizmente, do temor de possíveis ataques terroristas por parte dos "lobos solitários" e outros malucos - que vêm fazendo essas atrocidades em vários lugares que remetem à cultura ocidental - também em estádios de futebol. Mas tratemos de coisas boas, por ora, e antes de projetarmos o futuro vamos enaltecer o que de positivo houve na última temporada em relação às equipes. Destacar o Real Madrid, no entanto, o grande campeão da Champions, é chover no molhado. Barcelona e Bayern, embora não tenham chegado ao objetivo do título europeu, tiveram mais uma vez desempenhos invejáveis, com atuações de encher os olhos, principalmente em âmbito nacional. Então o assunto aqui será a surpresa ou sensação da temporada. Muitos dirão que foi o Atlético de Madrid, que mais uma vez, mesmo sem tantas estrelas no elenco, conseguiu chegar à final da Champions e disputou o título espanhol de igual para igual com Barcelona e Real Madrid. Ou, claro, o Leicester, de candidato a rebaixamento a campeão da super badalada Premier League, o melhor campeonato nacional do mundo. Mas para mim o time mais agradável de se ver foi o Napoli.

O futebol é o esporte mais incrível do mundo porque permite que equipes de diferentes estilos sejam bem sucedidas. E não há melhor nem pior, nem certo ou errado. As diferentes características nas equipes precisam existir, caso contrário o esporte perde a graça e viramos todos robôs. Há apenas preferências. Atlético de Madrid e principalmente o Leicester fizeram temporadas de tirar o chapéu, evidentemente, e merecem todos os louros. Porém, a minha definição parte de uma filosofia de jogo que mais admiro. Enquanto o time espanhol e o inglês praticaram um futebol de extremo pragmatismo, com duas linhas de quatro bem próximas e uma saída mortal de contra-ataque, a equipe italiana exerceu a troca de passes em jogadas sensacionais ajeitadas para o matador Higuaín se deliciar e quebrar o recorde de gols na Liga Italiana (o argentino atingiu a incrível marca de 36 gols em 35 jogos). A maneira como jogam Leicester e Atlético também é admirável. Afinal, aguentar se defender de grandes equipes até o fim e ainda vencê-las, convenhamos, não é tarefa das mais simples. Mas, de acordo com a minha preferência, além de se aplicar defensivamente, construir jogadas, envolver o adversário e ter uma postura praticamente sempre ofensiva é ainda mais admirável, pois construir dá mais trabalho que destruir. E assim foi o Napoli.

O time do sul da terra da bota liderou a maior parte do campeonato, foi o "campeão de inverno" (1º turno) como dizem por lá, e só não ficou com o título italiano porque não contava (e ainda não conta) com um elenco tão qualificado como o da poderosa Juventus, que tem praticamente dois jogadores do mesmo nível em todas as posições. O Napoli tinha um bom time titular, mas os reservas, em sua maioria, não estavam à altura, o que não permitia ao técnico Maurizio Sarri fazer algum rodízio em momentos mais estafantes da temporada, ainda mais porque a equipe disputou também a Europa League, competição na qual foi eliminado na fase de dezesseis avos de final diante do Villarreal, e a Copa Itália, em que perdeu para a Internazionale nas quartas-de-final. Com isso, era impossível os jogadores terem o mesmo rendimento em todas as partidas e a equipe perdeu fôlego. Mas ficou com o vice-campeonato, o que já é de se admirar, tendo em vista a concorrência acirrada de equipes como Roma e Internazionale, ainda mais por se tratar de um começo de trabalho, de uma aposta da diretoria.

O TREINADOR

Após a saída de Rafa Benítez para o Real Madrid, a diretoria do Napoli contratou o então desconhecido Maurizio Sarri, que havia feito um com trabalho no Empoli, na temporada 2014-2015, mas nunca tinha dirigido um time grande, de investimento mais vultuoso. Chegou a ser questionado por Maradona, um Deus na história do Napoli como jogador, que disse que o treinador italiano não estava à altura do Napoli. Embora o eterno camisa 10 não tenha conhecimento tático algum para avaliar o trabalho de qualquer técnico, já que ele mesmo como treinador é pavoroso, sua opinião com ícone tem peso, é claro, e influenciou muita gente ligada ao clube e principalmente os torcedores.

Sarri, porém, derrubou toda a desconfiança, e demonstrou muita tranquilidade e segurança em seu trabalho. Já pode ser considerado o melhor técnico da história recente do Napoli. Em temporadas anteriores, o time até chegou a brigar na parte de cima da tabela, mas sem empolgar tanto tampouco liderar o campeonato por tanto tempo.

O TIME

O Napoli jogou basicamente no 4-3-3 e nós vamos esmiuçar aqui as funções dos titulares de Sarri.

OBS: dados como altura, peso, idade, currículo, números na temporada entre outros estão aos montes na internet e podem ser consultados no site oficial do clube e outros como wikipedia, o gol e transfermarket.

25 - REINA (GOLEIRO): Depois de uma temporada sem muito brilho no Bayern de Munique (também pudera, enfrentar a concorrência de Neuer é pedir para não jogar) o goleiro espanhol voltou e foi um dos líderes da defesa. Vale destacar também sua forte ligação com a torcida, à qual ele sempre se dirigia com muito entusiasmo após os jogos, principalmente no Estádio San Paolo.

2 - HYSAJ (LATERAL-DIREITO): O albanês foi contratado a pedido do técnico, com quem trabalhou no Empoli, e fez uma temporada de muita regularidade, com todos os requisitos para um bom lateral, como agilidade, marcação, velocidade e bom cruzamento. A exemplo de seu treinador, superou toda desconfinça

33 - ALBIOL (ZAGUEIRO): Homem de confiança do técnico Rafa Benítez, mesmo com a saída de seu compatriota, o zagueiro espanhol também se tornou homem de confiança de Sarri e se manteve como xerifão da zaga.

26 - KOULIBALY (ZAGUEIRO): A experiência e a frieza de Albiol se completaram com a juventude e a entrega do zagueiro senegalês, formando uma boa dupla de zaga.

31 - GHOULAM (LATERAL-ESQUERDO): Em mais uma temporada pela equipe italiana, o franco-argelino teve muita regularidade e deixou a lateral esquerda tão bem servida quanto a direita, embora com características diferentes. Ghoulam tem menos técnica, mas mais força e velocidade que Hysaj e também colaborava com a zaga no jogo aéreo defensivo.

8 - JORGINHO (VOLANTE): Desconhecido no Brasil, para azar da seleção brasileira, e muito conhecido na Itália, para sorte dos italianos, o volante ítalo-brasileiro é extremamente técnico. Dadas as devidas proporções, seu estilo de jogo parece o do monstro consagrado Andrea Pirlo. Infelizmente, para os fraquíssimos ex-comandantes da seleção brasileira, principalmente Dunga, ele não servia. Como é mais um desses casos de jogadores que deixam o país ainda antes de serem profissionais, o ex-jogador do Verona chamou atenção dos italianos que não bobearam e o chamaram para a Azurra. Embora ele não tenha disputado a Eurocopa, como tem 24 anos, sem dúvida é uma grande opção para os próximos anos.

5 - ALLAN (VOLANTE/MEIA): Como já destacado em outro post, sugerimos aqui a convocação do brasileiro ao novo treinador da seleção. Se Tite estiver atento, convocará Allan para a função que o decadente Elias vinha exercendo. É um volante que atua também como um meia de chegada pela direita, com características parecidas às do corintiano, Paulinho e Fernandinho, que vinham exercendo essa função na seleção nos últimos tempos. Embora marque menos gols, Allan, no momento, exerce melhor que os concorrentes mencionados as funções que mais interessam a essa posição, ou seja, o passe e a marcação, além de ter também como arma a chegada de trás em velocidade.

17 - HAMSIK (MEIA): Um grande ídolo na história do Napoli. Há 9 anos no clube. Um atleta de dar inveja a muitos, por sua identificação com a torcida e pela técnica que tem. Um jogador que, apesar do estilo punk, é extremamente clássico com a bola nos pés. Um meia raro no futebol atual, que joga de uma intermediária a outra e tem uma margem de erro mínima no passe. Como se não bastasse sua qualidade para construir, na hora de marcar também é eficiente, embora não seja essa sua especialidade.

7 - CALLEJÓN (PONTA DIREITA): Como a maioria dos espanhóis que jogam do meio para frente, Callejón é muito técnico na manutenção da posse de bola, mas, logicamente, não é um jogador qualquer e, além da técnica mencionada, tem como principais virtudes o drible e os cruzamentos venenosos.

9 - HIGUAÍN (CENTROAVANTE): 42 jogos, 38 gols marcados. Trinta e seis deles em 35 partidas pelo Campeonato Italiano, média superior a de um gol por jogo. Precisa comentar mais alguma coisa?

24 - INSIGNE (PONTA ESQUERDA): Com uma velocidade extrema, o baixinho deixa para trás com certa facilidade os marcadores, além de finalizar muito bem. É um jogador muito jovem, que pode evoluir ainda mais, e é uma das grandes esperanças da seleção italiana para a próxima Copa do Mundo.

14 - MERTENS (PONTA): O jogador belga tem um estilo que é uma mescla de Insigne e Callejón. Talvez por ser mais experiente, consegue ser mais completo, pois tem a velocidade, o drible e a técnica para bater na bola, embora não tenha nenhuma dessas características tão sobressaltantes como a velocidade de Insigne e o drible de Callejón.

Aquele mais atento vai perceber que há 12 jogadores na escalação. É verdade, pois o belga Mertens foi o 12º jogador. Entrava sempre no decorrer dos jogos e, em muitas partidas, foi titular no lugar de Insigne ou Callejón. Nesse caso, como tinha jogadores com a mesmo qualidade à disposição, Maurizio Sarri pôde fazer esse revezamento.

Para a próxima temporada haverá mudanças, é claro, como em todo time, principalmente a saída de Higuaín para a Juventus. Mas a tendência é a evolução do bom trabalho de Sarri e o Napoli deverá se manter forte e brigar, se não pelo título, já que a Juventus continua com um poderio financeiro bem superior aos demais, pelo menos por uma vaga à Champions League 2017-2018, competição que voltará a disputar nesta temporada e na qual espera surpreender, já que se trata de um mata-mata.

Napoli de Maurizio Sarri no 4-3-3; Mertens sempre pronto para entrar

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