quinta-feira, 7 de julho de 2016

A fé terá que mover montanhas

Sem Ganso, Calleri teve dificuldades para participar do jogo e praticamente não pegou na bola
(Foto; Site Oficial / São Paulo FC)

Maicon errou ao empurrar o adversário daquela forma. O árbitro errou ainda mais, pois não foi agressão. Foi um chega pra lá que acontece em todo jogo. Exagerou. Mas quem mais errou na derrota do São Paulo diante do Atlético Nacional no primeiro jogo da semifinal da Libertadores, em pleno Morumbi, foi o técnico Edgardo Bauza.

Com a saída de Maicon a alteração óbvia seria a entrada de Lugano, zagueiro, da mesma posição, no lugar de um jogador mais avançado. Mas quem entrou no lugar de Wesley foi Hudson, volante. Caminho livre para os dois gols de Borja. O sistema defensivo do São Paulo ficou uma salada só. Primeiro Mena formou dupla de zaga com Rodrigo Caio e deixou a lateral esquerda para Michel Bastos. Foi quando saiu o primeiro gol. Quando o time colombiano ampliou o placar o posicionamento já era outro. Hudson havia ido para a zaga, Mena voltado para a lateral esquerda e Michel Bastos no meio-campo.

Não que se Lugano estivesse em campo os gols do Nacional não sairiam nem que o uruguaio esteja em sua melhor forma. Mas Hudson, além de não ser da posição, também fisicamente não entrou 100%, pois voltava de lesão.

Foi surpreendente essa alteração de Bauza, ainda mais por seu pragmatismo.

Mas o maior problema para o tricolor foi não ter Ganso. Ficou clara a dependência da equipe no camisa 10. É o ônus de ter um jogador com essas características no elenco e se acostumar a jogar em função dele. Não há substituição. O único que pode exercer o papel de Ganso no elenco do São Paulo é o peruano Cueva, mas ele não pode mais disputar a competição por já ter defendido o Toluca-MEX. Ytalo não tem as mesmas características tampouco a qualidade de Ganso. Se perdeu em criatividade com a ausência de Ganso, sem Kelvin a equipe são-paulina não teve profundidade nem ousadia.

Agora na Colômbia, as chances de o São Paulo conquistar a classificação são mínimas. Dificilmente Ganso e Kelvin estarão recuperados de suas lesões, sem contar a ausência do capitão Maicon. Além disso, o Atlético Nacional pratica um futebol melhor que o do São Paulo, não deverá ter desfalques e está invicto em sua casa, sempre lotada (O Estádio Atanasio Girardot tem média de 48 mil torcedores por partida, lotação máxima).

O clube da fé terá mais do que nunca que exercê-la, apesar de alguns já a terem perdido (torcedores/marginais causaram pânico e destruição em confronto com a polícia na saída do Morumbi). Se o São Paulo se classificar será um dos maiores feitos da história do futebol, para se ter uma ideia do favoritismo dos colombianos.

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