segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Separando o joio do trigo

Acusado de corrupção, Del Nero ainda é o presidente da CBF

Que houve uma clara evolução da Seleção Brasileira sob o comando do técnico Tite é evidente. Ele fez o óbvio e se deu bem. Ou seja, com pouco tempo para treinar colocou cada jogador em sua posição e deu certo. Sem contar a experiência do treinador não só do ponto de vista tático como no diálogo com os atletas, algo essencial também pelo pouco tempo de trabalhar com os jogadores que tem um técnico de seleção. A análise apresentada é consensual. Mas o que precisa ser uma avaliação geral também é que o que acontece dentro de campo não pode esconder as mazelas do futebol brasileiro, comandado pela nefasta figura de Marco Polo Del Nero.

Acusado de corrupção nos Estados Unidos, desde o ano passado o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é investigado pelo Comitê de Ética da Fifa por ter se beneficiado de um esquema de recebimento de propina na venda de direitos de torneios no país e no exterior. Em dezembro, o FBI o denunciou por corrupção. Del Nero alega inocência.

A entidade é investigada por duas CPIs em Brasília e teve os últimos três presidentes envolvidos no escândalo de corrupção na Fifa. Ex-presidente da CBF, José Maria Marin está preso no exterior desde maio do ano passado. Outros dirigentes de futebol pelo mundo também foram presos. Desde as prisões em 2015 na Suíça, Del Nero nunca mais deixou o Brasil, apesar dos inúmeros compromissos da seleção gerida pela entidade que preside.

Mesmo com todos esses problemas, o sumido (das câmeras porque dos bastidores...) presidente da CBF tem os clubes e as federações nas mãos. Nas sucessivas reeleições de seu grupo político, as votações, por incrível que pareça são praticamente unânimes a seu favor. Somente as federações e os clubes das séries A e B votam. Mas as federações não fazem nada pelo futebol. E os clubes que não fazem parte desse rol, e que são a maioria, vivem situação paupérrima.

Assim, o bom início de trabalho de Tite e as grandes atuações de Neymar, Gabriel Jesus e companhia não podem ser o ópio para o esquecimento de Del Nero. Sem dúvida ainda há algo de podre na entidade que tem como sede o edifício José Maria Marin e isso não pode ser deixado de lado. É preciso separar o joio do trigo.



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