segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Chapecoense, um exemplo para a vida e para o futebol

É hora de o preto do luto dar lugar novamente ao verde da esperança na continuidade do clube

Filosoficamente, sempre procuro associar o futebol à vida, pois o esporte não deixa de ser uma representação da vida. Há dias em que perdemos e há dias em que vencemos. Há dias em que estamos tristes e há dias em que estamos felizes. O futebol é uma analogia perfeita dessa dinâmica. Depois de toda essa consternação que vivemos, o que posso dizer sobre o que aconteceu com a Chapecoense é que foi um golpe duro à vida de todo o mundo e a maior derrota da história do futebol, mas que deixa lições importantes.

A lição mais importante é para a vida, sobre a importância do amor. De poder valorizar todas as pessoas que estão à nossa volta enquanto elas estão vivas, sem desperdiçar um abraço, um beijo nem palavras de carinho, gratidão e incentivo.

Mas é uma lição para o futebol também, pois o o que acontece dentro de campo não pode nem deve nos abalar, nos irritar, nos rivalizar nem nos desestabilizar tanto assim. Essa tragédia mostra como é pequena uma derrota ou um rebaixamento do seu time. Como é desumano agredir alguém por torcer por outra equipe. Humano sim foi o que fez o torcedor colombiano e o Club Atlético Nacional em suas homenagens. Tomara que sejam campeões mundiais!

Além disso, não morreu a delegação de um clube qualquer. A Chapecoense é exemplo para todos os clubes do Brasil. Por isso, é preciso que as pessoas envolvidas com o futebol não se esqueçam da Chapecoense e mirem nesse clube em suas atitudes.

Em 2013, ainda quando eu cobria o Bragantino pela Equipe Futebol Total, tive o prazer de entrevistar o presidente do clube Sandro Pallaoro, em Bragança Paulista, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Antes da entrevista conversamos um pouco fora do ar e ele me explicou toda a mobilização da cidade envolvida em torno do clube, com incentivo dos empresários, programa de sócio-torcedores e toda uma comunidade envolvida. Chapecó respirava futebol. Não era um clube de um mecenas, de um político, de uma empresa ou de uma prefeitura, como muitas vezes acontece em cidades menores. Sem contar que, pessoalmente, ele me pareceu muito sereno e humilde. Tenho certeza que o presidente Pallaoro, que estava naquele voo fatal, irá para um bom lugar em outra dimensão, ao contrário da maioria dos dirigentes de clubes ou federações.

Naquela vez senti uma energia positiva do presidente e da diretoria, de que era um clube que procurava ser correto e alcançar o sucesso dessa forma, que era merecedor de chegar muito além de onde estava, o que confirmei após obter maiores informações, como todo jornalista faz. A partir daquele encontro, tive a certeza de que a Chapecoense subiria para a Série A, e para ficar, o que de fato aconteceu, embora muita gente não acreditasse, já que o clube acabara de vir da Série C. Diziam que naquele momento o time catarinense era um cavalo paraguaio e que embora liderasse o campeonato não teria fôlego para chegar entre os quatro. Não ficou com o título - o campeão da Série B daquele ano foi o Palmeiras - mas garantiu na segunda posição o acesso, que para mim já era certo desde aquele 24 de agosto de 2013.

Apenas três anos após aquele momento a Chapecoense não só se manteve na Série A do Brasileiro como alcançou o incrível feito de chegar à final da Copa Sul-Americana. Mas tenho certeza que esse não foi o ápice desse clube, que irá se reerguer, com ou sem ajuda de outros clubes, federações e CBF, e chegar ainda mais longe, pois tem respeito à torcida e ao orçamento, patrocinadores, estrutura, planejamento, organização e muita força de vontade de sua comunidade e sua cidade.

A Chapecoense entrou para a história do futebol definitivamente após essa tragédia. Mas ficará marcada também por suas conquistas, mais cedo ou mais tarde, com certeza. Merece!

FORÇA CHAPE! VAMOS CHAPE!

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