segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A máquina

Português conquistou pela quarta vez o prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA (Foto: REUTERS)

"Messi é um gênio. Cristiano Ronaldo uma máquina." A frase de Kaká ilustra perfeitamente o que representa cada um dos maiores jogadores do mundo atualmente e dois dos maiores da história do futebol. Desde 2008, a partir de quando ambos passaram a se alternar nos prêmios de melhor jogador do mundo, geralmente vence quem consegue mais conquistas coletivas, apesar de o prêmio ser individual.

Em 2016, Cristiano Ronaldo disputou 57 partidas, marcou 55 gols e ofereceu 17 assistências, somadas as aparições pelo Real Madrid e pela seleção portuguesa. De janeiro a dezembro, Lionel Messi participou de 61 partidas, marcou 59 vezes e deu 31 assistências.

Mas o português ganhou a Liga dos Campeões, o torneio de clubes mais valorizado do planeta. Em seguida, ajudou Portugal a conquistar a Eurocopa pela primeira vez. Já em dezembro, foi campeão do Mundial de Clubes. Messi venceu o Espanhol e a Copa do Rei, com o Barcelona, e fracassou na final da Copa América, com a Argentina.

Na última vez que o vencedor não se chamou Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi, o ano era 2007. Kaká havia sido o astro do Milan (ITA) campeão da Liga dos Campeões. Foi escolhido. Kaká, mais uma vez muito sabiamente, agradeceu as premiações da Fifa e da "France Football" com incrível sobriedade: "O prêmio individual só acontece por causa do desempenho coletivo."

Se o Milan não ganhasse a Liga dos Campeões, Kaká talvez não fosse escolhido, apesar de ter jogado mais do que todos os demais. Aquela foi a primeira vez que Messi e Cristiano apareceram no pódio, o argentino em segundo, o português em terceiro.

No ano seguinte, deu Cristiano Ronaldo, também campeão da Liga dos Campeões. Veio um tetracampeonato de Lionel Messi, Cristiano voltou a vencer em 2013 e 2014, Messi em 2015.

Se o ano é do Barcelona, vence Lionel. Se é do Real Madrid, ganha Cristiano. Esta é a vez do português, portanto.

Em tempo, por que "máquina" e "gênio"?

Cristiano Ronaldo é obcecado pelos treinamentos e procura incansavelmente se aperfeiçoar para não ficar para trás. O esforço do português compensa o talento menor que possui em relação a Messi e o coloca no mesmo patamar do argentino em números e conquistas coletivas e individuais. É uma máquina que leva muito a sério a profissão, tem uma fome insaciável de vitória e atropela quem estiver pela frente.

Messi é talento puro, natural, sem precisar de grandes esforços. Apesar de também se cuidar fisicamente, não é nesse aspecto seu diferencial e sim no dom que possui, praticamente impossível de se superar, pois além da habilidade que possui antevê as jogadas de maneira inacreditável.

No duelo entre a força e o jeito, dessa vez venceu a força.

Bom para nós, testemunhas oculares dessa grande época do futebol. Aproveitemos enquanto podemos, pois para surgirem craques desse nível levará muitos anos, ainda mais dois ao mesmo tempo.

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