terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O esquema da moda


Antonio Conte é o grande mentor do Chelsea; muitos tentam imitá-lo, mas nenhum conseguiu os mesmos resultados até agora
O futebol é totalmente imediatista, como a humanidade nos dias atuais. Conceitos e preferências mudam da noite para o dia, o que configura um rol inesgotável de incoerências dentro e fora de campo. Assim como acontece no convívio social das pessoas em todas as áreas e atividades, o modismo toma conta de todos os atores envolvidos com o esporte mais popular do planeta, seja na imprensa ou entre dirigentes, treinadores e jogadores. Do ponto de vista tático, a moda agora é jogar no 3-4-3.

Não que o esquema seja o problema. Longe disso. Não estamos aqui para debater fatores subjetivos, pois o melhor esquema é aquele que vence e convence, independente do posicionamento dos jogadores em campo. O problema é quando se quer copiar algo que não é necessário, o que acarreta em perda de tempo e queda de desempenho.

Para que o leitor entenda melhor, desde que o Chelsea, que iniciou a temporada no 4-1-4-1, passou a jogar no 3-4-3, período em que conseguiu uma incrível sequência de 13 vitórias na Premier League, sob o comando do italiano Antonio Conte, várias equipes passaram a adotar o mesmo sistema. Segundo um levantamento realizados pelo comentarista dos canais ESPN, Rafael Oliveira, 11 equipes da Premier League jogaram dessa forma numa das rodadas de final de ano.

Ocorre que a maior parte dessas equipes nunca havia testado essa variação, salvo algumas exceções com o Everton do holandês Ronald Koeman. E a maioria não tem jogadores que se encaixam nesse sistema facilmente. Seria preciso mais tempo para treinamentos, o que não há nessa fase da temporada. Ou seja, o segredo do bom funcionamento da equipe como uma engrenagem dentro de campo é o "encaixe". Não é porque o Chelsea encaixou perfeitamente dessa forma que os outros times conseguiriam. Assim, ao invés de melhorar, equipes que já não vinham tendo um desempenho satisfatório nem conquistando os resultados esperados, pioraram. Num campeonato com 20 equipes, como a Premier League, é matematicamente impossível que 11 vençam só porque estão utilizando o esquema do líder.

Essa falta de coerência e convicção dos treinadores demonstra que a maioria, mesmo na Europa e no nível mais elevado de competitividade no futebol como o praticado na Inglaterra, não está preparada para comandar uma equipe profissional, pois não tem criatividade para encontrar as próprias soluções dentro do elenco. É verdade que em alguns casos, como o do Tottenham, que conseguiu a melhor campanha nas últimas quatro rodadas, com 100% de aproveitamento, inclusive quebrando a sequência de vitórias do Chelsea, a mudança também funcionou, mas a equipe do técnico argentino Mauricio Pochettino já vinha jogando bem e mesmo sem a mudança de esquema poderia ter conseguido a mesma façanha.

Antonio Conte já havia escalado suas equipes com três zagueiros nos últimos anos, tanto na Juventus como na seleção italiana, embora na maior parte desse tempo não tenha utilizado formação igual a que aplica no Chelsea e sim o 3-1-4-2. Mas não basta conhecer o esquema. É preciso encontrar os jogadores com as características.

Se Antonio Conte, um grande treinador, está de parabéns por ter encontrado a fórmula ideal para sua equipe, os outros, em sua maioria, não passam de gestores de grupo, que armam suas equipes conforme "a banda passa".

Na formação do Chelsea, líder do Campeonato Inglês, todos os jogadores subiram de produção e se destacam

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